O passeio é dos peões, mas a carrinha mandou mais
O egoísmo sobre rodas continua a ditar as regras no planeamento urbano informal das nossas cidades.
A cena, captada numa movimentada artéria comercial portuguesa, ilustra o pão nosso de cada dia de quem ousa andar a pé: uma carrinha de caixa fechada da empresa imobilizada com total propriedade em cima do passeio, transformando a infraestrutura pedonal num parque de estacionamento privativo.
Para quem passa, o civismo parece ter ficado esquecido na mudança anterior.
A presença do veículo obriga os peões a uma ginástica urbana desnecessária e perigosa.
Enquanto uns tentam espremer-se entre a chapa e as montras das lojas locais, outros veem-se empurrados para a berma da estrada, dividindo espaço com o trânsito automóvel.
O cenário atinge contornos ainda mais flagrantes quando confrontado com o comércio de proximidade; mesmo ao lado de um toldo vermelho que sinaliza um talho e junto a uma banca que anuncia "Frutas e Legumes", os cidadãos perdem o direito elementar de caminhar em segurança.
Esta postura negligente não põe apenas em causa a mobilidade ativa; coloca em risco direto os mais vulneráveis, como idosos ou pessoas com carrinhos de bebé, que dependem de passeios desimpedidos para circular.
Enquanto a fiscalização tardar a atuar e as empresas tolerarem que os seus condutores operem à margem das regras do Código da Estrada, o peão continuará a ser o elo mais fraco, remetido para segundo plano numa via pública desenhada para todos, mas ocupada por alguns.
























